quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pelas ruas de São Paulo

Então. A mudança foi no Carnaval, nada mais justo que as próximas notícias fossem somente na Páscoa, certo? Então estou só três dias atrasada. E nessa quaresma aconteceu coisa pra cacete. Tanta que acho que vou contar aos pouquinhos, bem aos pouquinhos.

Então voltamos à Quarta-feira de Cinzas, quando eu finalmente consegui chegar em São Paulo com dois filhos, um trabalho e roupas para 15 dias, que era o tempo que eu levaria - no máximo - para ter as chaves do apê já encaminhado. Ah, sim: morando de favor na casa do cunhado. Olha, está aí um camarada que vai para o céu.

A primeira impressão que eu tive aqui foi de que paulista dirige muito devagar. Muito devagar mesmo. E são extremamente educados no trânsito. É só dar sinal, que fulano dá passagem. Foi lindo dirigir na semana pós-Carnaval. E no sábado. E no domingo. Já na segunda...

Impressionante. Toda a generosidade do paulista some quando quatro carros ficam aglomerados. Buzina, fechada e cara feia. Foi tudo que me recebeu na segunda-feira, a despeito das minhas lágrimas.

Aliás, as lágrimas pararam há 10 dias, quando eu finalmente consegui alcançar a meta de pegar o carro somente para ir em lugares já conhecidos e, mesmo assim, só uma vez por semana. Me perdi tão feio nessa cidade que nem os queridos nordestinos de posto de gasolina puderam me ajudar. Quer dizer, até poderiam, se tivesse algum posto no caminho...

Durante minhas peripécias no trânsito, elegi o Google Maps como meu pastor. E olha, não recomendo. A volta que ele fez eu dar para chegar do meu trabalho à escola dos pequenos é inexplicável. Já ouviram falar em vielas? Pois é. Isso que o caminho é praticamente uma reta. Sugestão: ache no Google Maps onde você quer ir e depois se guie pelas placas. Isso funciona muito bem em São Paulo. Exceto no Morumbi, onde as placas estão sempre escondidas nas copas das árvores. Não, não estou sugerindo podar as árvores. Quem sabe baixar as placas? Ou não. Deixa nego se perder, ficar com raiva, voltar menos vezes... Assim também resolve problema de trânsito, né?

Aliás, melhor definição do Morumbi para quem é de Floripa: é o Jardim Anchieta, só que elevado à décima potência. Tanto em ostentação das casas quanto em potencial de voltas e voltas no mesmo lugar.

Porque eu me perco tanto? Bem, eu tenho uma teoria. Quando mudei de Joinville para Floripa, demorou muito para eu conseguir me orientar na cidade. Joinville é uma cidade plana e feita de retas. Floripa é acidentada e curva. Meu maior mico foi ter ido da rodoviária ao shopping Beiramar pela Beira-Mar. Com o tempo, consegui me localizar na cidade. E, mesmo que eu não fizesse a mínima idéia de onde eu estivesse, era seguir reto. Uma hora a cidade acabava, ou na ponte, ou no mar. São Paulo não é assim. Não acaba. E os lugares que se encontra antes do não-fim podem ser assustadores. Estar dirigindo a esmo, sem reconhecer prédios, ruas, nomes, pessoas, sem saber sequer se está indo para o norte ou para o sul, sem ninguém na calçada... É uma sensação tão grande de desalento que sim, eu, mulherzinha pra caralho, choro.

Para encerrar, uma breve história para mostrar que não sou exagerada. O dia em que eu tive que achar um cartório no Butantã, no meio de umas ruas movimentadas, eu levei só 15 minutos e quatro ruas erradas para chegar lá. Na saída, já no caminho certo para o destino seguinte, orgulhosa, falei para as crianças:
- Viram? E eu nem me perdi tanto assim!!!
Cecília, a finesse em pessoinha, respondeu prontamente:
- É, né mãe? Mas a gente ainda nem almoçou. Espera até a noite pra gente ver.

4 comentários:

  1. Aprender a se virar nesta cidade é mesmo difícil. Quando morávamos aí eu vivia estudando o Guia. Se perder é normal. Até mesmo os paulistanos se perdem. Essa cidade não tem esquina. Pensar que vai dar a volta na quadra e chegar ao mesmo lugar é pura ilusão. Uma dica é pegar dica com os taxistas de como chegar aos lugares.

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  3. Pelas ruas de São Paulo dá um bom nome de música.

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  4. Na segunda-feira, 20, voltando para o hotel em que a Lu e eu estávamos, na Nove de Julho com Estados Unidos, nos Jardins, eu tomei a rua totalmente errada. Aliás, a rua certa, mas para o lado errado. Só notei quando cheguei a um lugar conhecido. Nesses casos, um GPS ou o Google Maps ajudam pra cacete.

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