sábado, 24 de maio de 2008

Asfalto Selvagem - Engraçadinha Seus Amores e Seus Pecados

Li essa edição, que reúne as duas obras que formam Asfalto Selvagem. Engraçadinha: dos 12 aos 18 e Engraçadinha: depois dos 30. Sim, eu li. Não vi nem o filme, nem a série. Nem Lucélia Santos, nem Alessandra Negrini. Nem chanchada, nem glamurização. Só a doença crua do Nelson Rodrigues.

O livro, claro, é eletrizante. Um gancho melhor que o outro, impossível acabar um capítulo e ir dormir, como se nada tivesse acontecido, como se não se estivesse morrendo de vontade de saber o que vem depois. Aliás, esse é o grande lance: ele conta a história como se estivesse contando uma fofoca. Então é claro que a mulherada ficava alucinada nos anos de 59 e 60, consumindo o folhetim, mesmo numa história cheia de sexo e tragédia - mesmo que fosse uma época bem menos pudica que atualmente.

O único problema é que o livro não acaba. Um amigo jura que ele ia escrever outra parte, com Engraçadinha madura. Madura? Mais madura??? Pelas minhas contas ela estava com 37 anos. Mais madura que isso só a menopausa, o fim do sexo. E eu lá ia querer ler sobre os calores de Engraçadinha???Aliás, o livro termina como várias frases da obra, sem um fim lógico, como se o ponto final tivesse caído ali. E isso me lembra uma história que alguém contou - acho que foi o Zé Dassilva, se não foi, o contador que se apresente - de como os companheiros de redação sacaneavam o Nelson Rodrigues: quando ele levantava da máquina de escrever, iam lá e botavam mais algumas frases. Diz que ele era tão cego que não percebia. Será então que...

Bem, o final do livro pra mim ficou algo como:
Quando Engraçadinha se deu conta que seu filho a amava ela.
Silvio empunhou a navalha e.
Letícia descia a calcinha da prima quando.

Enfim, você quer ler mais. E.




Agora, tem um ponto que não sai da minha cabeça: o manequim da Silene, filha da Engraçadinha. A protagonista já se amava quando adolescente, com suas coxas grossas e gostosas. E sua filha era uma cópia dela. E o livro todo só se fala da beleza, formosura e sensualidade de ambas. E tem uma hora que a prima pergunta o manequim, para dar uma calcinha de presente. 44. Sim, a gostosinha de 14 anos usava 44. 14 anos. 44. Me respondam: como se chama uma mulher que usa 44 atualmente?

A noção de corpo belo mudou muito em 50 anos - e só por isso minhas pernocas fininhas não são as coisas mais ridículas do mundo. Vejam as misses aí acima. Você vai dizer que nem tanta diferença entre a Miss Brasil 1959 Vera Ribeiro e a 2008 Natália Anderle, certo? Claro, o peso deve ser o mesmo, entre 50 e 55kg. Só que enquanto a Vera devia ter menos de 1,60 a Natália tem 1,75.

Será que precisava ter mudado tanto assim?

2 comentários:

  1. gica trierweiler25 de maio de 2008 15:24

    sabe o que isso quer dizer? que eu preciso me casar com o nelson rodrigues. sabe qual é o real problema? que o nelson já morreu.

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  2. Não acredito que a moçoila de 14 anos usava 44... se bem que, hoje em dia, o 38 na verdade é 40, né?

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Pode escrever aí sem nem pensar, tá tudo liberado.