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quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Como passar o Natal sozinha e cozinhar para um batalhão

A primeira parte é fácil. Tenha filhos e separe-se. Também tenha um trabalho que precise de pessoas sete dias por semana. Então quando as crianças forem passar o Natal com o pai, fique na escala de Natal. Pronto, agora você não tem eles na sua casa e também não pode sair da cidade para passar com sua família.

A segunda parte demanda empenho.
Esqueça que as crianças foram passar a semana fora e compre carne para todos os jantares da semana. Estoque no freezer.
Compre uma peça de picanha e uma de maminha para o cunhado vascaíno fazer quando vier te visitar. Estoque no freezer.
Compre uma corvina em postas para fazer uma caldeirada. Como é muito, estoque metade no freezer.
Aproveite que tem ova de tainha dando sopa na peixaria e compre. Estoque no freezer.
Ganhe um peru e um lombo de final de ano na empresa. Estoque no freezer.

Pronto. Agora fica fácil também. Abra o freezer no dia 23 e tire o que você vai preparar na ceia para uma pessoa e esqueça a porta dele aberta.

No dia seguinte, vá trabalhar. Não esqueça de xingar o lindo dia de sol escaldante que está fazendo lá fora. Não esqueça de xingar mais ainda quando começa a chover 10 minutos antes de você sair.

Quando chegar em casa, descubra a merda que você fez e passe a bendizer a chuva. Cozinhar com ela é sempre mais legal. Cozinhar muito não é tão legal, mas pelo menos com tudo preparado vai dar pra congelar de novo.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parou!!!

Acordei com um silêncio absurdo em casa. Para acabar com ele, acordei os dois monstrinhos. Mesmo assim, silêncio. Muito silêncio.
Me arrumei com silêncio.
Gritei para colocarem os uniformes com silêncio.
Ouvi algazarra no quarto com silêncio.
Coloquei água para ferver com silêncio.
Só quando olhei para as bananeiras no jardim que me dei conta: a chuva tinha parado.
Estou com um sorriso inexplicável na cara.

E ontem o Deco deu uma explicação para essa chuva toda:
- Mãe, chove quando Deus chora. As gotinhas são as lágrimas dele.
- Poxa, Deco, então Deus tá mal, hein? Chorando desse jeito...
- Ele deve estar muito triste com as coisas erradas que andam fazendo por aí, mãe. Estão degradando a terra. Ele também deve saber que o Dário construiu um shopping no mangue, em cima das casas dos caranguejos.
- ....

domingo, 13 de abril de 2008

Ainda sobre as bodas de ouro

Assim que cheguei na celebração dei de cara com o padre. Careca, de óculos, passou a sensação de já ter visto ele em outro lugar. Depois de uns minutos, cai a ficha: em Joiville, no casamento de uma amiga de infância.
- Mãe, não parece aquele padre bravo lá da São Francisco de Assis?
Nisso chega o noivo e fala:
- A celebração é especial, o padre é meu primo.
Bem, resolvido: não era o mesmo padre, afinal estávamos em Gaspar.

No início da celebração, ele começa:
- Esse casamento é mais do que especial. Não é todos os dias que eu posso sair da melhor paróquia de Joinville para celebrar as bodas de ouro de um primo.

Pronto, era o padre.

Aí eu lembrei, claro, da teoria dos seis graus de separação. E mais, lembrei de Lost.

O que isso quer dizer? Que se eu caísse de avião numa ilha no meio do nada ela não estaria cheia de homens maravilhosos como Sayid ou Jack (update a pedido da sogra: e Sawyer também), e sim com o padre.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Hoje meu cachorro morreu

E não foi uma morte bonita. Não, ele não morreu atropelado como o Bambi. Nem em briga de cachorro, como o Maradona. Nem envenenado como o Tobby. O Estopa foi sacrificado e fui eu a desgraçada que assinou a autorização da eutanásia.

O estopa não era um cachorro amigável. Mordeu a Celina, mordeu a Cecília e nunca foi com a cara do meu irmão. Ele foi lá pra casa por acidente. Minha vizinha pegou ele na rua supermal, levou para uma veterinária que passou um tempo com ele dando jeito no bicho. Aí ele foi encaminhado para adoção. Ficou lá em casa só para esperar um dono. E foi assim que eu virei dona dele.

Todo mundo achava ele feio. Em primeiro lugar, os pêlos. Lá em casa tem muita lama e ele estava sempre com a pelagem toda emaranhada. Mas a feiúra que ninguém suportava era o nariz. Ele tinha um tumor na ponta do focinho e, com ele, uma ferida aberta, que nunca cicatrizava e ainda escorria.

Pois bem, esse tumor pegou uma infecção. E eu fiz o melhor que eu pude - embora ainda esteja com a sensação de não ter feito o suficiente. Depois de 10 dias de antibióticos, a notícia: ou ele passava por uma cirugia pra ficar sem focinho e ter uma sobrevida de um ano à base de antibióticos, ou era sacrificado.

Num post lá embaixo o Gian tirou a maior onda da minha cara, porque eu agradeci aos céus ter homens que cavam areia em volta do carro. Bem, eu aviso no perfil que sou mulherzinha pra caralho, mas ninguém acredita. E digo sem vergonha que chorei horrores, tanto na veterinária, enquanto ele tomava a injeção, quanto em casa, quando finalmente peguei na pá para fazer a cova do bichinho. A próxima pedreira vai ser contar para as crianças.

Tchau, Estopa.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Sorte de existir gente assim no mundo!

Numa rápida saída de casa no final de semana optei por um caminho diferente. Sabe aquelas idéias brilhantes que eu tenho às vezes. Pois é, atolei na areia, pertinho de casa, ou seja, logo depois do fim do mundo.

E não é que lá mesmo, no fim do mundo, no meio do nada, passa um carro ao longe e me vê? O cara estaciona, vem andando, olha pra minha cara de "ih, fodeu!", olha para as crianças no banco de trás e chama dois amigos.

Eles chegam logo em seguida com uma pá. Cavam, cavam, cavam, dão a partida, andam 20 centímetros e atolam de novo.

Aí eu, mal-educada que sou, tento ligar para o seguro.
- Só um instante senhora. É perto da praia?
- É Florianópolis, tudo é perto da praia. Mas não, não é na praia.
- É local de passagem?
- Sim.
- O guincho corre o risco de atolar?
- Sim.
- Só um instante, senhora...


Enquanto isso eles cavam, cavam, cavam - ouvindo meu lindo filho dizer que sabia que ia atolar e só eu que não vi isso - cavam, cavam e tiram o carro de lá. Juro que eles cavaram muito, tanto que acabou a areia, conseguiram chegar num ponto em que era terra dura.

Gente, eles foram os meus heróis!!!

Agradeci muito, mas se você for um dos camaradas que eu não sei nem o nome que moram ali perto do fim do mundo também e ajudaram a desatolar um carro branco no final de semana, obrigada de novo.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Ei, beibe, sonhei contigo!

Sonhei com ele na noite passada. Estava com a barba grande, lindo, lindo. Acho mais bonito assim, fica com mais cara de homem. Eu estava sentada no sofá, abraçando minhas pernas compridas, e só o observava. Ele estava lá e falava bastante, justo ele que é sempre tão calado. E sorria. Que sorriso!!! E fazia tudo isso enquanto... limpava a casa. Sim, ele segurava um mop, molhava no balde, torcia e passava no chão.
Desperdício: sonhar com ele e não ser nada mais picante.
Raiva: acordar e a casa continuar suja.