terça-feira, 21 de abril de 2009

Condicionada a sentir medo

Peguemos uma situação hipotética e analisemos o desenrolar dela em dois ambientes diferentes. Vejamos, uma mulher caminhando sozinha, um pouco antes das 19h, já escuro, e com uma névoa de chuva que faz a rua ficar mais vazia.

- Em Florianópolis:
Ela anda aproveitando o sereno no rosto.

- Em São Paulo:
Ela anda mais rápido, olhando para o chão mas atenta a tudo o que passa à sua volta.

Eis que vem um carro no outro lado da rua, com um jovem entre 20 e 30 anos dentro, e pára. Ele fica olhando para ela e ela...

- Em Florianópolis:
..fica olhando também, meio alheia.

- Em São Paulo:
...pega o celular meio que não olhando para ele e fingindo que alguém ligou.

E aí, depois que ela passa, o carro dá a volta e vai andando mais devagar do lado dela. Ela...

- Em Florianópolis:
...pára e pergunta se ele quer alguma informação.

- Em São Paulo:
...dá meia-volta e vai correndo para o camarada da segurança privada de uma casa que ela viu 30 metros antes.

Sim, eu passei por isso por aqui. E agi dessa maneira insana, tudo para acabar descobrindo que o cara do carro era da mesma segurança privada. Ok, trabalho lá, moro acolá, passarei sempre por aqui, boa noite a todos.

Hoje, andando pela casa, vi um cara na laje que fica atrás da oficina do outro lado da rua olhando para cá. Novamente a atitude hostil de olhar para lá e fingir que falava no celular - que falava dele, obviamente. E o cara? Nem aí, continou olhando. Ou não, ou olhava para outro lugar. Ou é cego. Ou é um tremendo cara-de-pau mesmo. Até brinquei no twitter que tiraria uma foto dele e colocaria no flickr, mas não, né?

Enfim, não sei se é a realidade ou se é mais a fama da cidade, mas a verdade é que eu estou sim me sentindo insegura por estar sozinha. Parece que ouço minha mãe o tempo todo, no meu ouvido: "se tu ainda fosse casada...".

E aí eu me pergunto: para onde eu me mudei que uma mulher sozinha não pode andar pela rua ou ficar em casa sem companhia? Afeganistão???

Não sei como a vida vai ficar por aqui, mas espero, do fundo do coração, perder esse medo com o passar do tempo. Pelo menos um pouco dele, o suficiente para eu me sentir numa boa, na minha casa.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Pelas ruas de São Paulo

Então. A mudança foi no Carnaval, nada mais justo que as próximas notícias fossem somente na Páscoa, certo? Então estou só três dias atrasada. E nessa quaresma aconteceu coisa pra cacete. Tanta que acho que vou contar aos pouquinhos, bem aos pouquinhos.

Então voltamos à Quarta-feira de Cinzas, quando eu finalmente consegui chegar em São Paulo com dois filhos, um trabalho e roupas para 15 dias, que era o tempo que eu levaria - no máximo - para ter as chaves do apê já encaminhado. Ah, sim: morando de favor na casa do cunhado. Olha, está aí um camarada que vai para o céu.

A primeira impressão que eu tive aqui foi de que paulista dirige muito devagar. Muito devagar mesmo. E são extremamente educados no trânsito. É só dar sinal, que fulano dá passagem. Foi lindo dirigir na semana pós-Carnaval. E no sábado. E no domingo. Já na segunda...

Impressionante. Toda a generosidade do paulista some quando quatro carros ficam aglomerados. Buzina, fechada e cara feia. Foi tudo que me recebeu na segunda-feira, a despeito das minhas lágrimas.

Aliás, as lágrimas pararam há 10 dias, quando eu finalmente consegui alcançar a meta de pegar o carro somente para ir em lugares já conhecidos e, mesmo assim, só uma vez por semana. Me perdi tão feio nessa cidade que nem os queridos nordestinos de posto de gasolina puderam me ajudar. Quer dizer, até poderiam, se tivesse algum posto no caminho...

Durante minhas peripécias no trânsito, elegi o Google Maps como meu pastor. E olha, não recomendo. A volta que ele fez eu dar para chegar do meu trabalho à escola dos pequenos é inexplicável. Já ouviram falar em vielas? Pois é. Isso que o caminho é praticamente uma reta. Sugestão: ache no Google Maps onde você quer ir e depois se guie pelas placas. Isso funciona muito bem em São Paulo. Exceto no Morumbi, onde as placas estão sempre escondidas nas copas das árvores. Não, não estou sugerindo podar as árvores. Quem sabe baixar as placas? Ou não. Deixa nego se perder, ficar com raiva, voltar menos vezes... Assim também resolve problema de trânsito, né?

Aliás, melhor definição do Morumbi para quem é de Floripa: é o Jardim Anchieta, só que elevado à décima potência. Tanto em ostentação das casas quanto em potencial de voltas e voltas no mesmo lugar.

Porque eu me perco tanto? Bem, eu tenho uma teoria. Quando mudei de Joinville para Floripa, demorou muito para eu conseguir me orientar na cidade. Joinville é uma cidade plana e feita de retas. Floripa é acidentada e curva. Meu maior mico foi ter ido da rodoviária ao shopping Beiramar pela Beira-Mar. Com o tempo, consegui me localizar na cidade. E, mesmo que eu não fizesse a mínima idéia de onde eu estivesse, era seguir reto. Uma hora a cidade acabava, ou na ponte, ou no mar. São Paulo não é assim. Não acaba. E os lugares que se encontra antes do não-fim podem ser assustadores. Estar dirigindo a esmo, sem reconhecer prédios, ruas, nomes, pessoas, sem saber sequer se está indo para o norte ou para o sul, sem ninguém na calçada... É uma sensação tão grande de desalento que sim, eu, mulherzinha pra caralho, choro.

Para encerrar, uma breve história para mostrar que não sou exagerada. O dia em que eu tive que achar um cartório no Butantã, no meio de umas ruas movimentadas, eu levei só 15 minutos e quatro ruas erradas para chegar lá. Na saída, já no caminho certo para o destino seguinte, orgulhosa, falei para as crianças:
- Viram? E eu nem me perdi tanto assim!!!
Cecília, a finesse em pessoinha, respondeu prontamente:
- É, né mãe? Mas a gente ainda nem almoçou. Espera até a noite pra gente ver.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

220v para 110v

Depois de 13 anos, deu de Floripa galera, estou de partida. Acho válido, então, fazer uma retrospectiva:

1996
- Cheguei em 2 de março de 96. No apê alugado tinha um rádio e uma tv velha que só pegava a Globo. Domingo, arrumando minhas 10 caixas, não entendi porque o Faustão tocava Brasília Amarela em tom fúnebre. Descobri rápido.
- Primeira festa: calourarte, uma recepção na Ufsc. Lá eu reconheci a Nathan - veterana que eu tinha visto na aula de rádio -, que me apresentou ao Botelho, que me contou como foi ouvir a notícia de quando tinha passado no vestibular - era o segundo Diógenes da lista.
- Gosto de lembrar que minha turma tinha muita mulher e por isso os veteranos davam muita festa e eu ia em todas. Assim, todas. Minha turma não ia, para desespero dos marmanjos. Em três meses eu conhecia todos os alunos mais velhos - e até ex-alunos. Me formei e não sei o nome de todos na minha turma.
- Mesmo morando em Floripa, estudando o que eu queria e indo em muitas festinhas, não curtia ficar aqui. Quem me convenceu a não desistir no primeiro semestre foi o Finco.
- Depois, a Paula, estudante de engenharia, foi morar comigo. Logo minha casa virou ponto de encontro de calouros da engenharia.
- Também tinha o futiba de terça à noite, que eu marcava para a galera do jornalismo.
- Os dois itens anteriores combinados geraram noites inesquecíveis - e inenarráveis - no Itambé.
- Depois eu comecei a namorar e virei uma moça séria (mais momentos inenarráveis...)
- Morei também com a Marcinha e a Carise. E não dá pra esquecer do Akilesh, que "morava" com a gente de sexta a segunda.

1997
- Entra a primeira turma de calouros depois de mim. Surpresa: tem gente bem mais legal do que muita gente da minha turma.
- Encerrando 96 e indo para 97, começo mal, morando numa pensão escrota cuja única vantagem era ser separada por apenas um muro da casa do meu namorado.
- Em julho, fui acampar um mês na sala da Megui, que estava num encontro de estudantes de comunicação em algum lugar sórdido na América Latina. Naquele tempo ela era só uma veterana muito legal, com quem eu me dava muito bem e tinha um coração do tamanho de um bonde. Acabou que eu fiquei lá por uns 3 ou 4 meses. Ela ficou bem feliz quando eu saí.
- Entrei no curso de história da Udesc e conheci mais gente maluca. Bem, tinha alguns malucos que eu já conhecia.
- Mais para o final do ano fui para o meu apê, lindo apê, e logo estava sublocando o segundo quarto para a Greice (0nde andará Greice?)

1998
- Entra uma turma muito bizarra no curso. Assim, muito bizarra. Hoje eu dia eu conheço uns ou outros, e eles até são bem legais. Mas eles eram freaks. Sim, Upiara, freak.
- Nesse ano eu comecei a andar com a Samanta, que era da minha turma. Essa foi a grata surpresa daquele ano.
- Em setembro (eu acho) meu namorado se formou junto com os últimos dinossauros da Ufsc. A foto daquela turma deve estar na parede da casa do Dalton, o secretário do curso a quem eu devo muito.

1999
- Definitivamente sem saco nenhum para o curso e agradecendo horrores ao Locatelli por não der deixado eu atrasar em um ano a minha formatura.
- A diversão era jogar war ou 1914 na casa dos outros.
- Lembra da Megui ali em cima? Então, topou passar 3 meses no Pará comigo fazendo o Trabalho de Conclusão de Curso. Lá nos descobrimos almas gêmeas.
- Na volta do Pará eu noivei. É, o mesmo namorado de 96, 97 e 98. Tem muita gente aí que se puxar na memória vai lembrar da festa-dilúvio.

2000
- Começo janeiro me formando. Fevereiro sem trabalho. Março entrando no Guia Floripa.
- Desisti completamente da História.
- Engravidei em julho, descobri em agosto. O pessoal do Guia não ficou muito contente, mas descobriu rapidinho que, em termos de trabalho, não fez grandes diferenças.
- Em outubro eu "casei": fui no aeroporto buscar o noivo que estava voltando das paraolimpíadas da Austrália (ele foi cobrir, é bom deixar isso claro) e levei ele pra casa.

2001
- Vamos direto para abril, quando nasceu a Cecília. Eu nunca, nunca, nunca, nunca, nunca mais fui a mesma - e não foi só porque eu tive parto normal não.
- Curiosidade: quem cobriu minha licença-maternidade foi a Camille Reis, isso, aquela do Estúdio SC.
- Tudo que eu posso dizer daqui para diante é papo-fralda, como quando a Cecília apredeu a se esconder atrás da fralda de pano, aos 10 meses, na viagem para o Rio de Janeiro. Vou poupá-los.
- Mentira, vou falar de bebês: Cecília foi para a Dinâmica Baby.
- Foi o final de ano da Joaquina: ia todas as manhãs pra lá com a bebê.

2002
- Em fevereiro, estou grávida de novo. O pessoal do Guia Floripa gostou menos ainda. Mas eu fiquei feliz pra cacete.
- Update 1: entrei numa lista de discussão para grávidas e conheci um monte de mãe maluca como eu. Sou muito amiga de várias até hoje.
- Separei pela primeira vez. Isso mesmo. Com um bebê. Grávida. Separada. Voltamos em 5 ou 6 meses.
- Cecília saiu da Dinâmica e foi para o Flor do Campus.
- Três meses depois, saiu de lá e foi para o Arcângelo.
- Em outubro, nasce o André. Sabe tudo o que eu aprendi com a Cecília? Não se aplica.
- Mais papo fralda.
- Fui morar com a sogra, que tinha recém-separado, e aluguei meu apê para os chefes.
- Foi o final de ano do LIC: piscina com os dois era mais fácil.

2003
- Minha vida é toda crianças. Não por necessidade, por gostar mesmo. Amava ir ao parque de manhã, amava fazer papinhas, amava trocar fraldas...
- Mentira, minha vida era o Guia também.
- Vida social: zero.
- Exceto pelas reuniões no Arcângelo, agora que tinha dois bebês lá.
- Não, acho que foi nesse ano que conheci a Érica e o Rico. Aqui minha memória começa a falhar, juro. Mas foi tão legal, mas tão legal, que parece que a gente se conhecia havia séculos. Eles tinha a Celina, que se deu muito bem com as crianças. Foi um tal de se juntar para beber e conversar enquanto elas brincavam que durou muito tempo.

2004
- Fiz uma reforma linda no meu apê. Voltei pra lá em junho ou julho, não lembro.
- Minha vida continua toda crianças.
- Final do ano o casamento, com aquele noivo, que foi aquele namorado, acabou. Tá, ninguém levou muito a sério.

2005
- Deixei o Guia Floripa e fui para o finado clicNessa.
- Cecília e André saíram do Arcângelo e foram para a Sarapiquá.
- Cecília e André saíram do Sarapiquá e foram para a Casa Amarela.
- Reatei antigas amizades do curso, como a Ana e a Gi. Me aproximei da Karla, que eu conhecia muito superficialmente do Esporte do DC. Conheci, também, muitas outras pessoas do DC.

2006
- O clicNessa foi substituído pelo hagah.
- Mudei daquele apê lindão para o Rio Tavares. Longe que doía. Lindo que acalmava.
- Passava as manhãs na praia e trabalhava à tarde.
- O então chefe Fabiano saiu da redação e começou os períodos turbulentos.
- Em outubro, aumentou a carga horária. Nada de praia à tarde.

2007
- No hagah, arrebanhei uma galera legalzinha, minha "banda": Rodrigo, Leo, Beto, Elisa e Felipe - o estagiário.
- Ex vai embora para Sampa.
- Cometi erros profissionais inacreditáveis.
- Independente deles - e bota independente disso - as turbulências aumentaram.
- Cecília e André saem da Casa Amarela e vão para o Sesc.
- Vida social continua zero, exceto por encontros na casa do Rio Tavares, conhecido algum tempo como Bar da Boa.
- Entra o dc.com, mais turbulências.
- Sangue novo no clic: Michele, Maykon, Fê.
- Festa de Ano-Novo baita lá em casa.

2008
- Começa bem, com promoção para o clicRBS.
- Primeira contratação do hagah que eu participo só como ouvinte: Dani. Depois, nem mais como ouvinte.
- Update 2: conheci a Verde Velma Gica que veio de Blumenau para Florianópolis e daqui para Sampa. Pecinha bem importante nessa história toda, com lavagem cerebral e tals. Logo serei vizinha dela.
- Em algum momento desse ano a Érica e o Rico vão para Vitória e, puxa, eles fazem muita falta.
- Cecília sai do Sesc e vai para o Imaculada. Deco segue no Sesc.
- Mais uma contratação para o clic: Alexandre. Fica menos do que devia, é verdade, mas mais do que eu esperava.
- Com a saída dele, a Sabrina, que era da minha turma e tinha ido para Porto Alegre quando eu entrei no clic, volta.
- Festinhas no Rio Tavares ficam mais escassas. E eu fico sem saco de ir em outras festinhas. Floripa começa a ficar muito, mas muito chata mesmo.

2009
- É ano para outra retrospectiva.

Fora de brincadeira, é isso mesmo: 2009 já pertence a Sampa. E agora sabe-se lá quando eu vou sentar para fazer uma retrospectiva meia-boca como essa.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Eu-eu

Recebi uma intimação de meme. Lembra aqueles cadernos de perguntas que as meninas tinham na escola, nos quais você respondia uma série de questões sobre você. Não faço a mínima idéia do que signifique "meme" e estou com preguiça de procurar no oráculo. Mas como tudo sempre gira em torno do umbigo de quem responde, gosto de pensar que é me-me, ou seja, o título deste post.

Antes de responder, quero ressaltar a alta consideração que eu tenho pela Karlinha, pela Aline, pelo Alexandre e pela Megui. Eu nunca respondi essas baboseiras e estou abrindo uma puta exceção. Mas para deixar registrado meu mau-humor não vou colar porra de selinho nenhum.

Então, vamos às seis coisas sobre mim:

1 - Sempre odiei brincadeira de meninas, desde as indefectíveis coleções de papel de carta até os já citados cadernos de perguntas. As brincadeiras dos meninos sempre foram bem mais legais, taco e peca são disparado as melhores. Mas para conseguir brincar com eles eu tive que ralar muito - leia-se ser mais forte, correr mais rápido, falar mais palavrões etc etc etc. Bati em vários menino e fiz outros tantos chorarem. Isso explica o meu jeitinho meigo e a minha finesse, não?

2 - Acreditei até a vida adulta que eu era filha do meu pai com outra mulher, adotada pela minha mãe, que não ia com a minha cara por não engolir essa traição. Isso por conta de uma trama de fazer a Janete Clair chorar, engedrada pela criança adorável que foi a minha irmã do meio. Hmmm, acho que isso merece um post inteiro.

3 - Quando eu tinha 15 anos meus pais foram morar em São Francisco do Sul e me deixaram em Joinville. Aprendi cedo o que acontece entre colocar uma blusa no cesto de roupa suja e ela aparecer limpa, passada e dobrada no guarda-roupa. Grunf.

4 - Acho que isso meio que estimulou uma certa precocidade: aos 25 eu já era mãe de dois, aos 28, divorciada.

5 - Até os 16 anos eu tive o cabelo liso. Aí fiz um permanente. E nunca mais meu cabelo perdeu os cachos - que eu adoro.

6 - Já fui atropelada cinco vezes. Em todas eu estava de bicicleta. Alguém quer sair para pedalar?

Tá, eu deveria passar a bola para seis blogueiros. Como a blogosfera não tem tanta gente, passo só para a Samanta. Vai lá, Sam, sabe que eu te considero pra caralho...

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Dia 30 de dezembro - Natal

É assim: sou católica não-praticante, então não tenho aquele sentimento de que Natal é o nascimento de Cristo. Também não tenho mais Papai Noel, mas confesso que amo ganhar presentinhos.

Natal para mim é família. É jantar juntos uma comida especial e todo mundo olhar para todo mundo com um olhar diferente, com uma nostalgia boa. E ver os pequenos e se divertir com eles. E ver alegria no abrir dos presentes e tentar montar as coisas juntos. E o lance dos presentes é muito legal porque não é aniversário, quando tudo é só pra um, é quando todos ganham alguma coisa realmente espetacular. E essa sintonia, essa alegria, isso sim para mim é Natal.

Então se no dia 24 eu passo sozinha - porque as crianças não estavam e eu trabalhava no dia 25 - eu passo só mais um dia sozinha, com um jantar mais cheio de frescura.

E estou escrevendo isso só porque pessoas ficaram preocupadas. Eu agradeço a vocês essa demonstração de carinho, sério mesmo! Mas a preocupação não procede, porque eu não passei o Natal sozinha.

Meu Natal será amanhã, quando os pequendos voltarem. E vai ser liiiiiiiiindo!!!

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Como passar o Natal sozinha e cozinhar para um batalhão

A primeira parte é fácil. Tenha filhos e separe-se. Também tenha um trabalho que precise de pessoas sete dias por semana. Então quando as crianças forem passar o Natal com o pai, fique na escala de Natal. Pronto, agora você não tem eles na sua casa e também não pode sair da cidade para passar com sua família.

A segunda parte demanda empenho.
Esqueça que as crianças foram passar a semana fora e compre carne para todos os jantares da semana. Estoque no freezer.
Compre uma peça de picanha e uma de maminha para o cunhado vascaíno fazer quando vier te visitar. Estoque no freezer.
Compre uma corvina em postas para fazer uma caldeirada. Como é muito, estoque metade no freezer.
Aproveite que tem ova de tainha dando sopa na peixaria e compre. Estoque no freezer.
Ganhe um peru e um lombo de final de ano na empresa. Estoque no freezer.

Pronto. Agora fica fácil também. Abra o freezer no dia 23 e tire o que você vai preparar na ceia para uma pessoa e esqueça a porta dele aberta.

No dia seguinte, vá trabalhar. Não esqueça de xingar o lindo dia de sol escaldante que está fazendo lá fora. Não esqueça de xingar mais ainda quando começa a chover 10 minutos antes de você sair.

Quando chegar em casa, descubra a merda que você fez e passe a bendizer a chuva. Cozinhar com ela é sempre mais legal. Cozinhar muito não é tão legal, mas pelo menos com tudo preparado vai dar pra congelar de novo.

domingo, 21 de dezembro de 2008

Só para constar

No ano passado a Megui estava por aqui em dezembro. Além disso, meu Natal foi com as crianças. Esse ano, nem um, nem outro.
Ainda não comecei a chorar, mas essa saudade me dói.
Podia ser um ano um, um ano outro, assim eu não ficava tão triste, né?

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

André, qual é o seu maior sonho?

A idéia é fazer uma entrevista a cada aniversário, no melhor estilo Anna, dos 6 aos 18, de Nikita Mikhalkov. Não bastasse eu ter atrasado a filmagem em dois meses, a pouca luminosidade e as configurações erradas da câmera inutilizaram o material.

Mesmo assim, essa parte é tão absurdamente boa que vai com baixa qualidade e tudo:

domingo, 14 de dezembro de 2008

Em uma corrida natalina, aparece Jesus entre Papais Noéis

Foi em Issy Les Moulineaux, subúrbio de Paris:


Sabe tudo de Natal esse daí. Foto da AP, tirada das imagens do dia , do Uol.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Sobre chuveiros elétricos

Eu prefiro chuveiros a gás: muita água muito quente. Em prédios, os leitores individuais costumam salgar o valor do condomínio. Mas nada como outro banho com muita água muito quente para relaxar. Mas morar de aluguel tem dessas e um dia você volta ao "mais em conta" chuveiro elétrico.

Para começar, é da natureza deles torrar a resistência. O primeiro passo, claro, é pedir pra alguém trocar. Ops! Esse alguém sou eu!!!

O segundo passo é comprar uma resistência nova. Aí você descobre a original da marca do chuveiro a R$ 15 e uma genérica a R$ 7. Muquirana, levo a genérica para descobrir duas diferenças cruciais nela: ser de uma liga muito mais flexível e com pinta de vagabunda e não trazer manual de instrução.

Sim, sou mulher e leio manuais.

Lembro da primeira resistência que comprei, a original, que vinha com manual. Meu chuveiro não é dos simples, daquele que tem um ponto de um lado, outro do outro, e deu. Ele tem duas espirais e três pinos. O manual dizia algo sobre colocar a saída A no pino a, a B no b e a C no c. Obviamente, não lembro a ordem e coloquei onde achei mais adequado.

Funcionou. Bom, pelo menos pelos cinco segundos necessários para queimá-la e me deixar pelo menos mais um dia sem chuveiro quente.

E aqui vai a grande lição deste post: só compre resistências vagabundas se você tiver alguém para trocar e, em conseqüência, alguém em quem colocar a culpa. Básico.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Música para acalmar o tempo

Notei já há algumas semanas que na minha seleção musical para dirigir tem Good Day Sunshine, Here Comes the Sun e Open Up Your Heart (and Let The Sunshine In). E cada vez que toca qualquer delas eu passo adiante, tão puta eu fico com a água caindo.

Resolvi que vou mudar a seleção. Tirar essas três e pôr no lugar November Rain, Purple Rain e Crying in the Rain (essa última em homenagem a este post do Alexandre).

Quem sabe não ajuda?

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

As formigas e a chuva

Você certamente já foi criança e, naquela época, destruiu algum formigueiro. Era curiosidade e não maldade, eu sei. Jogar uma pedrinha e ver várias formiguinhas muito mais rápidas do que o normal saírem dali, fuçando o que tinha acontecido. Não importava quantas pedras jogasse, mais cedo ou mais tarde, incansáveis, elas reconstruíram.

Em 1983 eu tinha seis anos de idade e ficava muito impressionada por ver Gaspar no Jornal Nacional. Na minha escola em Joinville eu era a única que conhecia aquela cidade, onde minha mãe nasceu. Onde os irmãos, primos, tios, a mãe da minha mãe ainda moravam. Onde todos eles estavam deixando suas casas para ir para não sei onde - e eu não sei mesmo, não tinha noção naquela época. Meses depois de outubro, quando fomos visitar a cidade, havia as marcas da enchente na parede.

Tal qual as formiguinhas, eles reconstruíram Gaspar, reconstruíram Blumenau e devem ter reconstruído mais alguma cidade que deve ter ficado embaixo d'água e eu não me recordo. Brusque? Itajaí? Ilhota?

Quantas vezes você ouviu falar do Baú? Pois é, o irmão da minha mãe se mudou para lá quando não tinha nada. Nem a BR-470. Para chegar lá, tinha que ir pela Jorge Lacerda, pegar uma balsa e andar muitos quilômetros em estrada de barro. Eu estava junto quando minha irmã foi entregar o convite de casamento à bordo de um fusquinha branco. Chovia e ele chegou marrom. Mesmo.

Todos brigaram com esse meu tio. A filha mais velha tinha oito anos. A mais nova, meses. Depois das cinco meninas ainda nasceu mais um menino, lá no meio do fim do mundo. Pois adivinhe, esse meu tio "enricou" à custa de muito trabalho braçal, arroz e bananas. A casa dele, de alvenaria, tinha uma cozinha enorme, para receber não só os seis filhos, genros e noras e netos mas quem mais chegasse. Nos fundos, um mundão sem fim de arrozal para tomar banho no verão. E um galpão com trator para brincar. E um morro de pasto na frente, para descer com folha de palmeira. Eu espero que esse morro continue lá.

Família grande é assim mesmo. Quando a chuva começou, me preocupei com meus irmãos em Joinville. Depois com minha mãe em São Francisco do Sul. Depois com meus tios em Gaspar. Depois com meu tio em Ilhota. E nesse meio tempo ainda sobrava pensamentos para a família do meu pais, distribuída em Joinville, Jaraguá do Sul, Piçarras e Itajaí. Dizem que mesmo os incomunicáveis estão bem e, até provarem o contrário, eu acredito.

Agora eu me preocupo com todos. Já tenho achado 1983 longe demais, leve demais. Já não agüento mais atualizar manchetes com novos mortos e desabrigados. Já não suporto ouvir a chuva. Já não consigo ver TV nem rádio sem chorar. Nem fotos como essa, do Baú, tirada pelo Guto Kuerten e que eu surrupiei dessa matéira do DC Online. Acho que meio que para ficar mais leve jutei tudo que tinha em casa - sapatos, roupas, roupa de cama, edredons, colchonetes  - e mandei para a Defesa Civil. 

As formigas vão precisar disso tudo para recomeçar.



quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Blogs e amigos

Se tem uma coisa que eu me amarro, é blog diarinho. Sou uma voyeur compulsiva nesse sentido. Leio, claro, os blogs dos amigos - exceto os de poesia, não me odeiem, não é nada pessoal. Dou risadas, vejo fotos, leio histórias e, na maior parte das vezes, não comento.

Mas leio também blogs de desconhecidos. E, quando gosto do estilo, das histórias, das alegrias, das tristezas, viro habitué. É terrível. Eu conheço o que aquela pessoa mostra que é, eu sei de suas mágoas, compartilho suas angústias, vibro por suas alegrias e... não faço a mínima idéia de quem é realmente. É quase como ler o Diário de Anne Frank, só que em tempo real e sem saber que o final não é feliz. Quando um desses blogs some, eu sinto que perdi um amigo.

Uma amizade unilateral, já que também nunca comento, como fosse um amor platônico.

Isso deve ser doença, não? Ou pura carência?

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Parou!!!

Acordei com um silêncio absurdo em casa. Para acabar com ele, acordei os dois monstrinhos. Mesmo assim, silêncio. Muito silêncio.
Me arrumei com silêncio.
Gritei para colocarem os uniformes com silêncio.
Ouvi algazarra no quarto com silêncio.
Coloquei água para ferver com silêncio.
Só quando olhei para as bananeiras no jardim que me dei conta: a chuva tinha parado.
Estou com um sorriso inexplicável na cara.

E ontem o Deco deu uma explicação para essa chuva toda:
- Mãe, chove quando Deus chora. As gotinhas são as lágrimas dele.
- Poxa, Deco, então Deus tá mal, hein? Chorando desse jeito...
- Ele deve estar muito triste com as coisas erradas que andam fazendo por aí, mãe. Estão degradando a terra. Ele também deve saber que o Dário construiu um shopping no mangue, em cima das casas dos caranguejos.
- ....

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ana e as baratas

Chove há semanas em Florianópolis e isso me baixou o astral e me jogou em tal torpor que eu me sentia como se estivesse em Joinville em 94. Não, 94 não foi um bom ano. Minha casa e meu carro são um espelho do que eu deixei acontecer na minha vida. Bagunça e sujeira. Bagunça na casa e sujeira no carro, melhor frisar essa parte. Mas sempre tem algo que me tira do torpor. Dessa vez foram baratas.

Cheguei em casa domingo à noite, após um final de semana extremamente cansativo e encontrei elas já na entrada, olhando para mim. Vendo que não tinha veneno por perto, demoraram para engendrar uma fuga. O que elas não sabiam é que eu com um chinelo na mão eu sou muito mais mortal que qualquer frasco de Baygon.

Antes de dormir avaliei meu ostracismo, minha decisão de ficar no esquema casa-trabalho-casa, de deixar várias coisas para depois, de estar sempre exausta - física e mentalmente - demais para qualquer coisa, qualquer palavra, qualquer programa. Foi o que bastou para retomar minha vidinha de sempre, a começar pela caixa de gordura, agora devidamente limpa e dedetizada. Os próximos passos serão o carro e o jardim.

E logo minha casa estará aberta às visitas, como eu sempre gostei, como sempre me fez bem.

domingo, 21 de setembro de 2008

Meses negros

Pode ser que você realmente conviva com uma mulher dentro de casa. Pode ser que não. Caso você pertença à segunda opção, você pode estar meio perdido com o que acontece à sua volta em todos os outros ambientes em que esses seres apareçam.

Fato 1: o verão começa em dezembro.
Fato 2: mulheres usam biquínis no verão.
Conseqüência: em agosto, mais tardar setembro, mudanças começam a acontecer no humor feminino.

De repente, o chocolate some, junto com as guloseimas em geral e o bom-humor.
- Bom dia!
E de repente você adoraria uma resposta grosseira no lugar daqueles dois olhos fuzilantes.

Não bastasse isso, no bufê do almoço elas param e ficam olhando tudo, fazendo cálculos mentais. O resultado é sempre várias folhas de alface, alguns tomates e pepinos, um bife e nadica de nada de arroz ou macarrão. E assim você descobre o que é fonte de carboidrato e que isso não é desejável nesse período obscuro, embora tenha sido largamente consumido por todas suas conhecidas nos meses anteriores.

Nada de chocolate, nada de guloseimas, nada de carboidratos e... exercícios? Aquela colega de trabalho usa o almoço para malhar? E volta com dores pelo corpo??? O que diabos justifica isso???
Ah, queridos, isso é uma questão delicada. Nós fazemos isso porque temos noção. Quer dizer, eu gosto de fingir que tenho. Quem me viu usar um biquíni no verão passado viu que a minha noção é vaga e não passa por uma boa olhada no espelho de corpo inteiro.

Mas assim: barriga e celulite são brigas eternas. E contra elas vale tudo, tudo, tudo, tudo. Até passar pelo mais maravilhoso e igualmente cruel efeito colateral: a calça jeans folgada.
Nenhum homem jamais vai saber a alegria que é colocar uma calça jeans e conseguir tirá-la sem abrir o botã0. E nenhum homem jamais vai saber a tristeza que é passar dois meses com ela folgada por saber que isso não dura para sempre e que no inverno seguinte ela vai caber direitinho.

Tudo por um belo biquíni...

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Mulheres e carros

Cinco fatos que se um homem - ou um vendedor bem preparado - não disser para uma mulher ela descobrirá da pior maneira:

1 - Mexer o volante para tirar o carro de um areial ajuda muito a atolar;
2 - Dar a ré não vai desatolar o carro, muito menos acelerar mais;
3 - Se o carro for um Crossfox e a mulher tiver a mania de dar "beijinhos" no pára-choque do carro que está atrás na hora de estacionar, até o pára-choque do cross chegar no do carro o estepe já fez um lindo desenho no capô do coitado;
4 - As rodas da frente não se mexem quando o carro tem direção hidráulica e está desligado;
5 - O freio também não funciona se o carro ainda estiver desligado.

Com muita sorte ela não descobre tudo isso no mesmo dia.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Tab Rosa

O BlueBus deu a nota a partir de notícia do El Mundo e eu replico aqui: energético róóóóóóóóóósa da Coca-Cola para as mulheres. As espanholas vão beber primeiro.

O comercial é... bem... fabuloso:



Não sei o gosto, mas espero que eles se dêem conta que não será bebido com whisky.

domingo, 7 de setembro de 2008

Dia dos Ruivos

Saiu no G1 - e eu dou link aqui, devidamente modificado como ensinou a barriga do TDUD. E quem diria que meus semelhantes somam apenas 2% da população mundial?

Blip yourself

Tudo o que você realmente precisa saber sobre o Blip o Alexandre já deu na semana passada. Sobre a novidade, sigo a opinião do Dauro: viciante. É legal ser DJ. É legal ouvir o que seus amigos ouvem. E é mais legal ainda descobrir sons maneiros.

Ok, sei lá porque diabos meu Firefox não toca. Talvez porque ainda seja o 2.0, vai saber. Mas o IE7 e o Chrome suprem essa carência. Sim, eu sou louca e fico com três navegadores abertos...

Outra coisa chata é que a conexão via rádio sofre interferência do vento. Sim, eu moro no Sul da Ilha. Sim, isso é um saco. Sim, já estou acostumada. Certo, isso não chega a ser um problemão.

Ah, e dá para você colocar seus blips no blog. Eu testei, mas não consegui mudar o lay-out. A fonte das mensagens eram tão enormes que ficou simplesmente horroroso na minha barra lateral. Por enquanto vou deixar em stand-by.